A GRÉCIA NO CINEMA

O cinema grego, pouco divulgado no Brasil, é muito conceituado na Europa, como muitas comédias de sucesso que foram produzidas na década de 50. Porém, os maiores destaques ficam para os maravilhosos filmes dirigidos por Mixalis Kakoyannis, que retratam a cultura, a dança e a música e, principalmente, os sentimentos do povo grego; os importantes filmes politizados, especialmente os dirigidos por Costa-Gavras e os filmes intimistas de Théo Angelopoulos. Não só os grandes diretores gregos devem ser lembrados mas, também, artistas, como Melina Mercoury, Irene Papas e outros que tiveram atuação brilhante em vários filmes. Algumas produções, gregas ou estrangeiras, que enfatizam os costumes locais ou foram rodados nas lindas paisagens da Grécia, são filmes que obrigatoriamente devem ser assistidos por aqueles que  apreciam o país. Incluem-se, entre eles, o clássico Nunca aos domingos e os vencedores do Oscar : Zorba o Grego, Os Canhões de Navarone, Z e Mediterrâneo. Antes de uma viagem para a Grécia vale a pena ver alguns destes filmes para, estando lá, reconhecer a paisagem e ambientar-se na vida grega. Aqui pode-se ler a resenha de alguns filmes (a maioria disponível, em DVD ou VHS, nas boas locadoras) e começar a sua viagem através da tela do cinema.

veja a resenha dos seguintes filmes:

A MULHER DE NEGRO (TO KORITSI ME TA MAVRA)  de Mixalis Kakoyannis

A LENDA DA ESTÁTUA NUA  (BOY ON A DOLPHIN)  de Jean Negulesco

NUNCA AOS DOMINGOS  (NEVER ON SUNDAY)  de Jules Dassin

OS CANHÕES DE NAVARONE  (THE GUNS OF NAVARONE)  de J.Lee Thompson

ZORBA, O GREGO  (ZORBA, THE GREEK)   de Mixalis Kakoyannis

O MAGO  (THE MAGUS)  de Guy Green

Z  de Costa-Gavras

O ADORÁVEL BENJI  (FOR THE LOVE OF BENJI)  de Joe Camp

O MAGNATA GREGO  (THE GREEK TYCOON)  de J.Lee Thompson

ESCAPADA PARA ATHENA  (ESCAPE TO ATHENA)  de George P. Cosmatos

007, SOMENTE PARA SEUS OLHOS  (FOR YOUR EYES ONLY)  de John Glen

AMANTES DE VERÃO  (SUMMER LOVERS)  de Randal Kleiser

A TEMPESTADE (TEMPEST)  de Paul Mazursky

ELENI  de Peter Yates

ALTA ESTAÇÃO  (HIGH SEASON)  de Clare Peploe

SHIRLEY VALENTINE  de Lewis Gilbert

MEDITERRÂNEO  de Gabrielle Salvatore

A ETERNIDADE E UM DIA (MIA AIONIOTITA KAI MIA MERA)  de Théo Angelopoulos

CAPITÃO CORELLI (CAPTAIN'S CORELLI MANDOLIN)  de John Madden

CASAMENTO GREGO  (MY BIG FAT GREEK WEDDING)  de Joel Zwick

TEMPEROS DA VIDA (POLITIKI KOUZINA)  de Tasos Boulmetis

NOIVAS (NYFES)  de Pantelis Voulgarissize

MINHA FAMILIA E OUTROS ANIMAIS (MY FAMILY AND OTHER ANIMALS)  de Sheree Folkson

QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE (THE SISTERHOOD OF THE TRAVELING PANTS)  de Ken Kwapis  

QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE 2 (THE SISTERHOOD OF THE TRAVELING PANTS 2) de Sanaa Hamri  

FALANDO GREGO (MY LIFE IN RUINS)  de Donald Petrie

UM PRESENTE DE GREGO (THE KINGS OF MYKONOS)  de Peter Andrikidis

A MULHER DE NEGRO (TO KORITSI ME TA MAVRA) de 1956, dirigido por Mixalis Kakoyannis é um filme que mostra muito bem a vida nas ilhas gregas na década de 50. Pavlos (Dimitris Horn) um jovem escritor ateniense chega com um amigo para passar alguns dias de férias na ilha Hidra. Resolvem hospedar-se em uma casa de família (o que revela o costume de hospedagem em domatio  nas ilhas, como dito na parte de hotelaria do site) aonde moram uma viúva, sua linda filha, Marina (Elli Lambetti) sempre vestida de preto e um irmão. O enredo revela as dificuldades da viúva em sua vida amorosa, perseguida por preconceitos e a vergonha de seus filhos, sempre ironizados pelos habitantes locais. Marina e Pavlos se apaixonam para irritação dos jovens da ilha que a pretendiam e não aceitam o seu amor por um ateniense. Armam, então, uma cilada para Pavlos fazendo-o naufragar com um barco repleto de crianças. Marina vai em busca da verdade, até revelar os verdadeiros culpados. O filme é forte, de enorme sensibilidade, com linda fotografia e mostra muito da vida cotidiana em uma ilha grega. 

A LENDA DA ESTÁTUA NUA (BOY ON A DOLPHIN) de 1957, dirigido por Jean Negulesco, foi a estréia da atriz italiana Sophia Loren no cinema americano. Além dela estrelam Allan Ladd, Clifton Webb, Jorge Mistral, Charles Fawcett e Alexis Minotis. No filme há cenários belíssimos da Acrópole de Atenas e cenas rodadas em várias ilhas, especialmente na charmosa Hidra. Phaedra (Loren) é explorada pelo namorado que a obriga a mergulhar para recolher esponjas. Em um desses mergulhos ela encontra um navio afundado, muito antigo, com uma estátua de ouro encravada na proa, representando um menino sobre um golfinho. Alertada da descoberta pelo médico inglês que reside na ilha, Loren parte para Atenas na busca de arqueólogos que possam lhe trazer muito dinheiro. Aí começa a disputa entre um arqueólogo honesto, defensor de que a Grécia deva ser dona dos tesouros encontrados em sua área, e um contrabandista de obras de arte. O final é emocionante e durante o filme há muitas cenas típicas das ilhas, incluindo as danças, a arquitetura e as paisagens marítimas. Veja abaixo duas cenas do filme no Youtube, em uma delas Sophia Loren cantando em grego.

http://www.youtube.com/watch?v=d4nc5GXC0Is&feature=related 

http://www.youtube.com/watch?v=MDMiUPcZst8&feature=player_embedded

 

 

NUNCA AOS DOMINGOS (NEVER ON SUNDAY) de 1960, dirigido pelo francês Jules Dassin, é provavelmente o filme que melhor representa a forma de pensar e agir dos gregos. Estrelado pela badalada atriz grega Melina Mercoury, o filme retrata a vida no porto de Pireus e as dificuldades de um americano em se adaptar aos costumes locais. Apaixonado pela prostituta mais popular do local, o americano empenha-se em tirá-la daquela vida. A transformação dos hábitos da prostituta, seguida por sua crise de consciência e a sua volta à realidade, preferindo lutar por seus ideais e pelos direitos de uma classe explorada, demonstra bem a forma de pensar e agir de um povo que se dedica com afinco aos amigos e às lutas de classe. As cenas rodadas no bar, com homens dançando Zebékika, são vistas com freqüência na vida real ainda hoje. O episódio do tocador de buzuki que, ao ouvir dizer que tocava mal, tranca-se em prantos no banheiro, retrata bem a paixão do grego pela música. A festa de aniversário da popular prostituta com muita música, comida e bebida revela a alegria de um povo que tem prazer pela vida simples desde que rodeada de amigos e discussões filosóficas. NEVER ON SUNDAY é um filme imperdível para se entender o coração e a alma grega.

  

OS CANHÕES DE NAVARONE (THE GUNS OF NAVARONE) , rodado em 1961 pelo diretor J. Lee Thompson, tem um elenco repleto de estrelas (Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn e Irene Papas). Conta a história de um comandante aliado que lidera um grupo de elite com o objetivo de destruir os canhões nazistas na ilha grega de Navarone (fictícia), durante a Segunda Guerra Mundial. O filme tem cenas eletrizantes, misturando ação a conflitos psicológicos de uma forma inovadora. A passagem do grupo por pequenos vilarejos gregos mostra a maneira com que os gregos viviam na época. Ganhou o Oscar de efeitos especiais.

ZORBA, O GREGO (ZORBA, THE GREEK), filme dirigido por Mixalis Kakoyannis, em 1964, com participações de Irene Papas e Alan Bates, que conferiu o Oscar a Anthony Quinn, eternizando-o no cinema. A história é um clássico da literatura grega, escrito por Nikos Kazantzakis. Kakoyannis criou uma Grécia pobre e austera, em branco e preto, onde Alexis Zorba é um camponês de meia idade, selvagem e sonhador, completamente sem preconceitos, com grande senso de humor e sede de viver. Ele influencia um jovem inglês (Alan Bates), seu chefe, que trabalha com ele em uma mina, a ter um pouco de loucura como o único caminho para a total liberdade. O filme é um culto à liberdade de expressão, representada no filme principalmente pela dança grega, o Syrtaki. Quanto mais sofre, mais Zorba dança! Para ele a dança é uma arte mental e não física : "dançamos com a cabeça e um sorriso no rosto, os braços são apenas para dar o equilíbrio". A música do filme, escrita por Mikis Theodorakis, passou a ser um ícone da música grega. Em 1968 surgiu na Broadway a versão musical de Zorba, interpretada por Herchel Bernardi. A imagem de Anthony Quinn ficou tão fortemente ligada à de Zorba, que o espetáculo foi um fracasso total. Em 1982, o próprio Quinn aos 67 anos de idade, estrelou uma nova montagem, com sucesso por quase cinco anos. Anthony Quinn fascinou-se tanto pela figura de Zorba que, mesmo na vida real, seus trejeitos ficaram muito semelhantes ao do personagem interpretado.

O MAGO (THE MAGUS) Filme realizado em 1968 pelo diretor Guy Green, baseado na novela de John Fowles. Tem um elenco repleto de estrelas, no melhor de suas formas : Antony Quinn, Candice Bergen, Michael Caine e Anna Karina entre outros. Considerado como um drama pela maioria dos críticos, na realidade é uma incansável seqüência de suspenses e mistérios. Michael Caine, ou o professor Nicholas Urfe, abandona um amor em Londres e refugia-se em uma pequena ilha grega, substituindo o antigo professor primário de inglês que suicidou-se misteriosamente. Em pouco tempo ele conhece "O Mago" (Quinn) e passa a fazer parte de um interessante jogo repleto de enigmas. A cada vinte minutos há uma reviravolta no enredo. Será, afinal, Antonny Quinn um grego traidor durante a Guerra Mundial, ou um famoso psiquiatra de Atenas, ou será, ainda, um produtor cinematográfico??? E Candice Bergen, será uma atriz promissora, uma esquizofrênica ou apenas um fantasma???....O filme é difícil de se compreender em algumas partes e necessita total atenção do espectador. Embora os créditos do filme o identifiquem como filmado na Grécia, Espanha e Inglaterra, o filme foi totalmente rodado na ilha de Mayorca, na Espanha. Entretanto, foi criado um cenário totalmente grego, desde a cidade da ilha, como a casa onde se passam a maioria das cenas, como as falas, muitas delas em grego. Esse fato é de suma importância pois a palavra " elefteria " (Liberdade, em grego) foi utilizada no filme com a força que merece tal sentimento para um grego. Outra cena muito característica da Grécia é a do pastor de ovelhas oferecendo leite fresco a uma turista: nada mais grego!!! Dificilmente, quem conhece a Grécia e não tem a informação de que o filme tenha sido rodado na Espanha, perceberia o fato.

      

Z, baseado na novela do escritor Vassilis Vassilikos e dirigido por Costa-Gavras, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1969. Costa-Gavras nasceu na Grécia, em 1933 e destacou-se como um dos diretores de maior prestígio do cinema político mundial, assinando clássicos do gênero, como Estado de Sítio, A Confissão, Desaparecido (Missing), Amém e Z, sua maior obra-prima. Z, inicial da palavra ZEI (pronuncia-se Zi - "Ele vive", em grego), mostra os bastidores de um crime político ocorrido em meados dos anos 60, na Grécia. A história traça um paralelo com o assassinato de Gregorios Lambrakis, renomado Professor de Medicina da Universidade de Atenas e popular deputado pacifista de esquerda, ocorrido em Thessaloniki alguns anos antes. No início do filme o diretor já avisa: "Qualquer semelhança com fatos ou pessoas vivas ou mortas, não é casual, é intencional.". No filme, o político (interpretado por Yves Montand) é assassinado em uma praça pública durante uma manifestação pela paz e pelo desarmamento. Após a morte, militares, policiais e membros do governo tentam abafar o caso fazendo-o parecer um acidente. Mas apesar de morto ele ainda vive ( Z )! O promotor encarregado age como detetive para descobrir os verdadeiros culpados e traz à tona uma rede de escândalos e corrupção que acabam por levar o líder do partido de oposição ao cargo de Premier. Porém, em 1967, um golpe militar derrubaria o governo legítimo. Z é um dos filmes mais premiados de todos os tempos, um contundente thriller político com ótimo elenco, destacando-se Jean-Louis Trintignant e Irene Papas.

 

O ADORÁVEL BENJI (FOR THE LOVE OF BENJI), dirigido por Joe Camp, em 1977, a maior estrela desta aventura é o cãozinho Benji, protagonista de uma série de filmes. Em viagem de férias à Grécia, Benji é usado por um contrabandista para carregar, escondidas em sua pata, valiosas informações científicas. Chegando em Atenas, Benji foge do aeroporto e inicia uma peripécia pelas ruas da cidade, perseguido pelo contrabandista, mostrando belas imagens da Acrópole e das ruas do bairro Plaka. As expressões de Benji demonstram seu talento e encantam os espectadores. Sempre com muita inteligência, o cão escapa várias vezes das mãos do contraventor e ainda consegue reencontrar a família com a qual vive, salvando sua dona de uma situação perigosa. Participações de Ed Nelson, Cynthia Smith, Patsy Garrett e Allen Fiuzat.

 

  

O MAGNATA GREGO (THE GREEK TYCOON) , um filme de J. Lee Thompson, rodado em 1978 e novamente com Anthony Quinn, no papel principal, como Aristoteles Onassis. Jacqueline Bisset faz papel de Jackie Kennedy. A história pretende contar a vida de Onassis porém, gera muitas discussões sobre sua veracidade e distorções de fatos reais (por exemplo, especula-se que a morte do filho de Onassis tenha sido por sabotagem e não um acidente). Mas, o que vale no filme é a fotografia, com várias paisagens deslumbrantes das ilhas gregas. Dentro do espírito grego, a melhor passagem é quando Onassis janta com Jackie em uma taverna numa ilha, tomando ouzo, quebrando pratos (atividade proibida atualmente na Grécia e substituída por guerra de flores) e dançando músicas gregas em um cenário típico que pode ser visto atualmente em qualquer ilha. A dança, no final do filme, na ilha de Mykonos, ao pôr-do-sol, é antológica.

    

ESCAPADA PARA ATHENA (ESCAPE TO ATHENA) de 1979, dirigido por George P. Cosmatos, tem um elenco repleto de estrelas (David Niven, Roger Moore, Claudia Cardinale, Telly Savalas, Stefanie Powers e Elliot Gold). O filme, rodado na ilha de Rodes, conta a história de um grupo de resistência multinacional, durante a Segunda Guerra Mundial, em uma ilha grega. Com muitos toques de humor, especialmente dado por Elliot Gold, o filme é cheio de cenas de ação. Athena (não confundir com a Capital da Grécia) é um rico Monastério dominado pelos alemães durante a Guerra. Savalas protagoniza o líder da resistência, junto com um italiano e um americano mais interessados no tesouro do Monastério. Roger Moore interpreta um oficial alemão, que passa para o lado da resistência, seduzido por uma jovem americana. A cena em que Elliot Gold persegue, em uma motocicleta, um oficial alemão, ilustra bem a cidade antiga de Rodes e os costumes gregos (note a presença de um burro no meio da rua). As cenas filmadas no Monastério encantam pela beleza da arte bizantina, que pode ser visitada ainda hoje, em muitas igrejas e monastérios gregos. Na cena final, Savalas comemora a vitória, dançando música grega em uma das inúmeras praças de Rodes.

SOMENTE PARA SEUS OLHOS (FOR YOUR EYES ONLY), aventura do agente secreto britânico 007, James Bond, estrelado por Roger Moore e filmado em 1981 com direção de John Glen. Um navio de patrulha inglês é bombardeado no mar Jônico, afundando com uma potente arma secreta. Em busca desta estão Bond e alguns contraventores gregos que querem vendê-la aos comunistas. Bond tem a ajuda da linda grega, Melina (Carole Bouquet), cujos pais foram assassinados por saberem a localização do navio naufragado. Não é preciso dizer que os dois se apaixonarão no final do filme. Provavelmente é o filme de 007 com as locações mais bonitas, seja pelas paisagens das montanhas nevadas, rodadas em Cortina D´ Ampezzo, na Itália, seja pelas cenas filmadas no calor da ilha de Corfu, na Grécia, e principalmente, pelas cenas finais que se passam nas místicas montanhas e monastérios de Meteora, no interior da Grécia. Em Corfu pode-se observar a beleza arquitetônica do lugar, além do contraste do luxo do cassino e da vida noturna, com a vida simples dos habitantes da ilha, incluindo uma amostra de dança grega na rua e cenas de um casamento. Em Meteora, Bond escala uma das mais altas montanhas para chegar a um monastério. Um detalhe curioso do filme é que a arma, em posse dos bandidos, vai ser escondida em "São Cirilo" e Bond fica sabendo que existem 439 igrejas com este nome na Grécia, ressaltando a parte religiosa do país e seu número infindável de igrejas.

AMANTES DE VERÃO (SUMMER LOVERS) Daryl Hannah, Peter Gallagher, Valerie Quennessen e Carole Cook estrelam o filme dirigido por Randal Kleiser, rodado em 1982. Embora com algumas imagens misturadas de Mykonos e da praia de Matala, em Creta, sem muita conexão com o roteiro, é o filme que melhor mostra as belezas da romântica Santorini, graças à fotografia de Papaconstantinos. Há cenas maravilhosas das cidades de Ia e Thira e das lindas escavações de Akrotiri. O filme começa mostrando uma típica mistura de jovens turistas em busca de diversão e velhos gregos vivendo em seu meio. Em seu decorrer ilustra muito bem a vida noturna da ilha como ela é ainda hoje. Um jovem casal americano vai à Santorini em sua primeira viagem conjunta. Lá o rapaz conhece uma arqueóloga francesa por quem se apaixona. Dividido no amor, reluta para não perder a namorada e a convence, com a ajuda da arqueóloga, de que poderão viver a três. O triângulo amoroso ganha forma e abate preconceitos mostrando conflitos, paixões e toques de humor. Quando uma das mulheres sai de cena existe a depressão, a necessidade da reconquista e a frustração por parte dos outros dois. Enfim, um filme que não poderia ter local mais apropriado como cenário e que se mostra muito além do seu tempo.

      

TEMPESTADE (TEMPEST), filme dirigido por Paul Mazursky, em 1982, tendo no elenco John Cassavetes, Raul Julia, Susan Sarandon, Gena Rowlands, Vittorio Gassman e Molly Ringwald. Adaptado de uma peça de Shakespeare, Mazursky conta a história de Phillip (John Cassavetes), famoso arquiteto de Nova Iorque, que se cansa da cidade grande e entedia-se no casamento. Separa-se da esposa Antonia (Gena Rowlands) e, com a filha Miranda (Molly Ringwald), parte para a Grécia em busca do resgate de sua dignidade. Na cidade de Pireus conhece a sedutora Aretha (Susan Sarandon) com a qual passa a viver um romance. Quando a ex-esposa chega à procura da filha, ele se esconde com Aretha e Miranda em uma ilha isolada, onde mora apenas Kalibanos, um pastor que dorme com as cabras (Raul Julia, em extraordinária interpretação, retratando um grego eremita). Em tom de tragicomédia, as mulheres sentem o afastamento do mundo moderno, enquanto Phillip se delicia com sua nova vida, refletindo sobre o senso e a moral. Um dia Kalibanos percebe a chegada de uma embarcação e, através de seu telescópio, Phillip reconhece Antonia e seu novo e milionário amante (Vittorio Gassman). Temendo que a filha seja encontrada e volte para os Estados Unidos com a mãe, ele evoca uma tempestade mágica que faz com que o barco naufrague. Entretanto, todos são resgatados com vida e enquanto novos amores acontecem, velhos amores se reconciliam diante da simplicidade e beleza da ilha, em um clima de festa. O filme mostra lindas cenas do mar na Grécia, destacando-se a cena inicial de um barco navegando ao pôr-do-sol.

ELENI, filme dirigido por Peter Yates, em 1986, baseado na história verídica do repórter Nicholas Gage (interpretado no filme por John Malkovich) do New York Times, que retornou à Grécia em busca de seu passado. O pai de Nicholas refugiara-se nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial sem sequer ter conhecido o filho. Terminada a guerra, sua mãe Eleni (Kate Nelligan), Nicholas (cujo nome real era Nikolas Gatzoyannis), então com aproximadamente oito anos, e suas quatro irmãs, que moram num pequeno vilarejo nas montanhas do Épirus, próximo da Albânia, esperam o chamado do pai, para se mudarem para a América. Entretanto, vem a guerra civil na Grécia e a região é tomada pelos comunistas. Sabendo que o marido de Eleni mora nos Estados Unidos, ela é perseguida pelo comando local. Mãe devotada, ela é obstinada na defesa de seus filhos e ao saber que as crianças locais serão mandadas para Albânia e Tchecoslováquia para serem educadas como soldados comunistas, consegue fazer com que os filhos fujam, com exceção de uma filha que tinha sido forçada a engajar-se no exército comunista. Eleni é torturada, condenada à morte, num julgamento corrupto, e fuzilada. No momento do fuzilamento, ela grita: "MEUS FILHOS!!!". Nicholas consegue chegar ao encontro de seu pai nos Estados Unidos e torna-se um repórter investigativo importante (tanto que, na vida real, foi homenageado várias vezes na Casa Branca). Trinta anos após, ele volta à Grécia como correspondente estrangeiro para o Oriente Médio, e aproveita para esclarecer as circunstâncias e encontrar os responsáveis pela morte de sua mãe. O livro Eleni foi citado em importante discurso do Presidente Ronald Reagan, em 1987, na tentativa de convencer o Presidente russo, Mikhail Gorbachev, a realizar um grande desarmamento. O filme retrata com clareza a importância da participação materna e o significado de família para os gregos.

ALTA ESTAÇÃO (HIGH SEASON), filme dirigido pela esposa de Bernardo Bertolucci, Clare Peploe, foi rodado na cidade de Lindos, na ilha de Rodes, em 1987. Uma comédia romântica, com o típico humor inglês, misturando cenas dos hábitos locais, revolução sexual e choques de costumes. A história se desenrola entre as maravilhosas paisagens das ruas de Lindos e o interior de suas casas, revelando, com muita fidelidade, a simplicidade aconchegante das casas de uma ilha grega. Irene Papas faz o papel de uma mãe-viúva em grande interpretação. Suas diferenças com o filho, que pretende modernizar o local adequando-o para o turismo, demonstra bem o espírito das mães gregas do pós guerra, na defesa de seus costumes e no respeito aos heróis de guerra. Jacqueline Bisset interpreta uma fotógrafa dividida entre seu trabalho, suas dificuldades financeiras e amores. Apaixonada pelo ex-marido (James Fox) com quem tem, entretanto, diferenças culturais, tem uma aventura sexual com um jovem inglês (Kenneth Branagh) e ouve seguidas declarações de seu melhor amigo (Sebastian Shaw), um crítico de arte inglês e também espião, que a quer em casamento. Alta Estação é um filme leve e gostoso de assistir.

SHIRLEY VALENTINE, filme de Lewis Gilbert de 1988. No elenco, Pauline Collins, em grande interpretação, Tom Conti, Julia McKenzie, Alison Steadman e Joana Lumley. O filme contrapõe a vida monótona de uma cidade inglesa, repleta de neuroses e preconceitos, com a vida simples, porém maravilhosa, de uma ilha grega. Uma entediada dona-de-casa de 42 anos deixa o marido e os filhos em Manchester e vai passar 15 dias em Mykonos. Lá encontra seus sonhos, a natureza, a razão de viver e redescobre não só o sexo como a si mesma, recusando-se a voltar para a Inglaterra. O filme mostra todas as belezas da ilha de Mykonos (as maravilhosas praias, a Little Venice, a vida agitada dos cafés do porto e a venda de flores que são colocadas sobre um burrico, etc...). Várias são as cenas que ilustram com exatidão a vida em uma ilha grega, especialmente as do casamento (completo, mostrando a cerimônia na igreja, o desfile pelas ruas com música ao vivo e a festa com as danças gregas) e as do pôr-do-sol. Quem já viveu a experiência de sair de uma grande cidade para dias de descanso em uma ilha grega, se emociona com o filme.

MEDITERRÂNEO, filme italiano dirigido por Gabrielle Salvatore, com Claudio Bigagli, Diego Abatanuomo, Ugo Conti e Vanna Barba no elenco, foi o ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1991. Uma comédia leve e inteligente, onde um grupo de oito soldados italianos é enviado, durante a Segunda Guerra Mundial, a uma distante e pequena ilha do Mediterrâneo (Kastelorizo - cujo nome grego é Megisti - é o ponto mais leste da Europa). Ao chegarem, encontram a ilha inicialmente deserta porém, mais tarde, descobrem os únicos habitantes, crianças e mulheres, uma vez que os homens haviam sido deportados pela anterior ocupação alemã. Tendo seu barco afundado, seu único meio de comunicação, o rádio, quebrado, e esquecidos por seus compatriotas, perdem contato com o mundo e com as notícias da guerra e, apenas três anos após o fim da mesma, é que ficam sabendo do fato, por um piloto italiano, que faz um pouso forçado na ilha. Todos os personagens são muito característicos, com diferentes personalidades, e adaptam-se muito bem aos costumes gregos, integrando-se à comunidade local. A volta para a Itália pós fascista, em reconstrução por ingleses e americanos, deixa alguns dos soldados com saudades da formosa ilha grega. O filme tem uma história interessante, cenas hilariantes de humor típico italiano e sensibilidade nos sentimentos dos personagens (especialmente do Tenente com sua habilidade artística para pintura e do soldado Farina, apaixonado pela prostituta do local). Belas paisagens do mar e da cidade de Kastelorizo, mostrando o lado religioso e o modo de vida em uma ilha grega, incluindo cenas de danças e de um casamento.

  

A ETERNIDADE E UM DIA (MIA AIONIOTITA KAI MIA MERA), filme mais intimista do cineasta grego Théo Angelopoulos, rodado em 1998. O enredo conta a véspera do dia em que Alexander (Bruno Ganz), um poeta doente em fase terminal, estaria indo internar-se em um hospital para aguardar a morte. As cenas vão misturando as lembranças da vida do poeta com sua esposa (Isabelle Renauld) e a ajuda que ele oferece a uma criança órfã, refugiada albanesa, que vivia nas ruas (Achileas Skevis). À este, Alexander conta como se iniciou na poesia, pagando às pessoas para lhe ensinarem palavras que não conhecia. O garoto, então, lhe vende três palavras: Korfoula mou, palavra dedicada ao coração de uma flor que seria um conforto para seu sofrimento físico ; Xenitis, que representa o sentimento de ser um estrangeiro, um desconhecido em toda parte e que reflete sua relação até mesmo com a família;  Argathini, muito tarde da noite, significando o crepúsculo da vida. Inevitavelmente as palavras expressam não só a essência poética do cinema de Angelopoulos como representam muito da alma e do sentimento grego. O filme foi premiado no Festival de Cannes, em 1998, com a Palme d´Or.

    

CAPITÃO CORELLI (CAPTAIN'S CORELLI MANDOLIN), filme de John Madden, de 2001, repleto de lindas paisagens da ilha de Kefalonia no mar Jônico, especialmente da maravilhosa praia Myrtos. O filme, que mistura guerra e paixão, retrata bem o amor que os gregos têm por sua terra natal e suas tradições, não a abandonando e lutando por sua reconstrução, mesmo diante das grandes tragédias, como os terremotos e as guerras. O enredo desenvolve-se na época da Segunda Guerra Mundial, a partir do noivado do jovem pescador da ilha, Mandras (Christian Bale), com Pelagia (Penelope Cruz), filha de um sábio médico (John Hurt, em grande interpretação). Logo após a cerimônia, chega a notícia de que os italianos estariam na Albânia, preparando-se para invadir a Grécia e Mandras se engaja no exército grego. Embora derrotem os italianos na Albânia, chegam reforços alemães e a Grécia é, finalmente, invadida. O controle da ilha de Kefalonia fica a cargo dos italianos sob a liderança de um inexpressivo comandante auxiliado por um capitão alemão. O Capitão italiano Antonio Corelli (Nicolas Cage) chefia um batalhão mas, nem ele nem seus homens acreditam na guerra e agem como se estivessem em férias numa ilha grega, mais preocupados com a música, a bebida e as mulheres. Sem notícias de seu noivo, Mandras, e após muitas discussões sobre a forma como Corelli encara a vida, Pelagia começa a se render aos encantos do Capitão. O final tem algumas reviravoltas e atitudes surpreendentes dos personagens principais. Irene Papas, no papel da mãe de Mandras, também tem uma brilhante interpretação no filme.

  

CASAMENTO GREGO (MY BIG FAT GREEK WEDDING), filme dirigido por Joel Zwick, em 2002, e que foi grande sucesso de bilheteria em todo o mundo. A atriz principal, Nia Vardalos, foi quem escreveu a história do filme, da mesma forma como já a retratava em teatros amadores. Filha de gregos, criada nos Estados Unidos, Nia procurava mostrar os costumes gregos e o filme tem muito em comum com sua vida real. O sucesso do filme  foi tamanho  que acabou virando seriado de TV nos Estados Unidos. No filme, Nia interpreta Toula, uma feia garçonete que trabalha no restaurante de seus pais, mas sonha com uma vida melhor. Os aspectos da família grega típica vão sendo mostrados aos poucos a cada diálogo. A muito custo, Toula consegue convencer seu pai (Michael Constantine), que a imaginava casando com um grego,  a estudar computação e passa a trabalhar na agência de viagens da tia, onde encontra um antigo cliente do restaurante, Ian (John Corbett). Ambos se apaixonam e passam a viver a crise das diferenças culturais de uma família inglesa com uma família grega. Muito da cultura grega é mostrado, porém de forma extremamente exagerada. Entretanto fica claro a simplicidade e a deliciosa afetividade da família grega que depois de muito sofrimento, especialmente do pai da noiva, aceita o "xenos" (estrangeiro) inglês como marido da filha. O filme é uma comédia romântica leve, mas que trouxe à tona os costumes gregos, ainda vividos por muitos, nos anos de hoje.

  

TEMPEROS DA VIDA (POLITIKI KOUZINA), de 2003, dirigido por Tassos Boulmetis e com uma maravilhosa trilha sonora composta por Evanthia Reboutsika. O filme conta a vida do professor de Astrofísica da Universidade de Atenas, Fanis Iakovidis (Georges Corraface) filho de pais gregos, criado em Istambul. Seu avô Vassilis (Tassos Bandis), turco de origem grega, foi a grande referência de sua infância. Dono de um empório e apaixonado pelo aroma dos temperos, era também um filósofo que tirava dos temperos os ensinamentos para a vida; para ele cada tempero tem o seu significado e "as vezes é melhor errar a receita, utilizando-se um tempero diferente, pois os temperos fortes tornam as pessoas introspectivas, já temperos suaves, como a canela, fazem as pessoas se olharem nos olhos" , filosofa no filme. Fanis passa sua infância no empório do avô e conhece seu primeiro, único e grande amor, a garota Saime, para quem cozinhava, utilizando-se dos ensinamentos do avô, enquanto ela dançava para ele. Com a invasão turca no Chipre o governo deporta os gregos da Turquia e Fanis, aos 7 anos de idade, ,junto com os pais, volta para a Grécia onde cresce aficionado pela culinária e preso às memórias do avô e de Saime. Ele enfrenta muita resistência familiar pelo seu amor à cozinha e sua crise só termina 35 anos depois quando ouve do tio, um oficial da marinha, a frase que muda sua vida, "Na vida há dois tipos de viajantes, os que estão indo orientam-se pelos mapas e os que estão voltando orientam-se pelo espelho". Fanis olha para seu espelho e resolve colocar sal (o tempero que não aparece mas que confere todo o sabor) em sua vida, retornando à Istambul para rever o avô no leito da morte e reencontrar Saime (Basak Köklükaya). Na Turquia rememora os melhores dias de sua vida. O filme, obrigatório para os gastrônomos, ensina que a arte de cozinhar e a apreciação dos temperos por todos os órgãos do sentido trazem muitos ensinamentos ao amor e à vida.  

NOIVAS (NYFES) do diretor grego Pantelis Voulgaris, rodado em 2004 e tendo no elenco Damian Lewis, Victoria Haralabidou, Andréa Ferréol, Evi Saoulidou, Dimitri Katalifos, Irini Iglesi, Evelina Papoulia e Steven Berkoff. E Martin Scorsese como co-produtor. O filme recebeu cinco prêmios no Festival de Cinema de Thessaloniki e muita divulgação no circuito europeu. A história se passa em 1922 no transatlântico King Alexander que parte da Grécia rumo a Nova Iorque levando à bordo setecentas jovens que fogem da guerra greco-turca e vislumbram uma vida nova na América. São gregas, romenas, turcas, armênias e búlgaras, todas noivas, com casamentos pré-arranjados nos Estados Unidos e que só conhecem seus noivos por fotografia. Durante a viagem o fotógrafo quarentão norte-americano Norman Harris (interpretado pelo ator inglês Damian Lewis) se enamora pela jovem costureira grega Niki (a atriz russa de ascendência grega, Victoria Haralabidou). Tanto Norman quanto Niki estão contrariados; ele porque suas fotos de guerra foram rejeitadas pelo jornal em que trabalha e ela porque embarcou neste "navio de noivas" para substituir sua irmã mais velha, que não aceitou a idéia de um casamento combinado.

MINHA FAMILIA E OUTROS ANIMAIS (MY FAMILY AND OTHER ANIMALS) filme dirigido em 2005 pelo diretor Sheree Folkson, baseado no livro autobiográfico de Gerald Durrell, escrito em 1956, no qual ele descreve a sua vida dos 10 aos 15 anos de idade quando sua família viveu na ilha de Corfu (Kerkyra) entre os anos de 1935 a 1939, pouco antes da Primeira Guerra Mundial. Mais tarde, na vida real, Durrell viria a se tornar um dos maiores naturalistas e pesquisador de animais do mundo, tendo escrito 37 livros sobre o assunto. Gerald dizia que Corfu dera forma a sua vida e que gostaria que  todas as crianças do mundo tivessem uma infância como a sua. Seu irmão mais velho, Lawrence, acabou por ser, na vida real, um eterno candidato ao Prêmio Nobel de Literatura. A história conta a decisão da viúva Durrell (interpretada por Imelda Staunton) de se mudar com seus filhos da Inglaterra para Corfu, na Grécia, para poderem viver em maior harmonia em um ambiente mais saudável. Seus filhos, todos extremamente excêntricos, tentam se adaptar à vida da ilha grega. Enquanto Larry (Lawrence) vivia escrevendo, a irmã Margareth, só quer saber de se apaixonar, o outro irmão, Leslie, tinha mania de armas e caça e Gerald (interpretado por Eugene Simon) passa dias pelos campos em busca do conhecimento da vida dos animais. Um dos personagens centrais do filme, Spyros (Omid Djalili), interpreta um chofer de táxi grego que fala inglês e passa a fazer parte da rotina da família. É ele quem dá o “toque” grego ao filme com seu sentimentalismo característico. O filme mostra algumas paisagens dos mares de Corfu além de casas típicas da ilha, já que a família muda de residência por três vezes.

QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE (THE SISTERHOOD OF THE TRAVELING PANTS) do diretor Ken Kwapis, de 2005, trata de temas importantes da adolescência como perda da virgindade, pais separados, doença, morte, amor e amizade de maneira bastante inteligente. O filme, baseado no best-seller homônimo de Ann Brashares, conta a história de quatro amigas de 16 anos, que se conhecem desde crianças e que passarão o primeiro verão separadas. Lena (Alexis Blendel) viajará para a Grécia para conhecer os avós paternos; Bridget (Blake Lively) irá participar de um acampamento  no México para aprimorar o desempenho em seu esporte predileto, o futebol; Carmen (America Ferrera) vai encontrar o pai que, separado da mãe, a visita apenas duas vezes ao ano e Tibby (Amber Tamblyn) pretende usar as suas férias filmando um documentário. Pouco antes de se separarem as meninas saem juntas para fazerem compras e encontram um jeans que inexplicavelmente serve em todas elas, apesar de terem alturas e pesos completamente diferentes. Fascinadas pela "mágica" da calça, decidem que a mesma irá acompanhá-las durante as férias, passando uma semana com cada uma delas, que a remeterá pelo correio à seguinte, servindo para uní-las apesar das distâncias geográficas. O fator mágico, embora acrescente um efeito lúdico ao filme, é apenas o pano-de-fundo para uma história que trata, na verdade, do processo da passagem da adolescência para a vida adulta, o que traz não apenas experiências felizes, mas também sofrimentos. O filme é sobretudo uma ode à amizade. A união é bem representada pela lua que brilha imensa para Lena na Grécia e também é vista por Tibby em sua cidade natal e por Bridget no México. As cenas filmadas na Grécia são de longe a melhor parte do filme, com uma fotografia exuberante, mostrando Santorini em paisagens de fazer qualquer pessoa sonhar em se transportar imediatamente para esta ilha. O filme salienta, ainda, muito dos costumes familiares gregos, como o desespero da avó de Lena quando descobre que ela está apaixonada por Kostas, rapaz de uma família rival, além de música e alguns diálogos no idioma helênico.

QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE 2 (THE SISTERHOOD OF THE TRAVELING PANTS 2) , continuação do primeiro filme lançado em 2005, desta vez dirigido por Sanaa Hamri, em 2008, com as mesmas atrizes do primeiro filme. Neste filme Lena descobre que seu grande amor, Kostas, havia se casado com outra mulher e parte para a ilha de Rodes ( infelizmente sem cenas externas da belíssima ilha ) estagiar em uma escola de desenho artístico; Bridget vai para um acampamento arqueológico na Turquia onde passa a entender o valor das pessoas mortas e volta para casa, em busca de saber mais sobre o suicidio da mãe, tendo contato com a avó materna que vinha sendo evitado por seu pai; Carmen, prestes a ter um irmão temporão, é convidada por uma atriz a atuar nos bastidores de uma peça teatral em Vermont onde acaba se tornando a atriz principal e Tibby permanece em Nova Iorque tentando terminar o roteiro de seu filme e passa pelo pânico de uma possível gravidez indesejada com o namorado. Assim, continuam os dramas e o amadurecimento das quatro amigas adolescentes que, entretanto, mantém a amizade como fator primordial, tendo como elo uma calça jeans que vai passando de mão em mão entre elas. Embora neste segundo filme hajam poucas as cenas filmadas na Grécia, Santorini volta a aparecer  nos minutos finais com imagens impressionantemente belas da maravilhosa ilha. 

FALANDO GREGO (MY LIFE  IN RUINS), dirigido por Donald Petrie, essa produção de 2009, traz de volta às telas a atriz Nia Vardalos de “Casamento Grego”. Aqui ela representa Geórgia, uma americana de origem grega (como Nia é na realidade), neurótica e deprimida, apaixonada pela história da Grécia e que vai ao país para trabalhar como guia turística. Por onde leva seus grupos de turistas ela procura contar a história grega diante dos monumentos e se frustra, ao notar que os turistas estão mais interessados em fazer compras e em tomar sorvete, do que em aprender sobre os fatos históricos e milenares do país. Ela não se adapta ao estilo de vida grego, e para piorar a situação, sua chefe é subornada por um guia concorrente, Nikos, para que ele fique com os melhores grupos. As avaliações que Geórgia recebe, de seus grupos, sobre seu trabalho são péssimas comparadas às de Nikos, que carrega os turistas para as lojas e não se preocupa em mostrar as belezas da Grécia. Ameaçada de perder o emprego, inferiorizada diante do concorrente e sentindo-se solitária em busca do grande amor, ela pretende fazer desta excursão a última de sua vida. Ela recebe um grupo extremamente heterogênio: americanos de estilos variados e espanholas divorciadas atrás de futuros maridos. Dentre os americanos há uma família, cuja filha adolescente é mal-humorada e os pais não se entendem; um casal de idosos do qual a "inocente" velhinha rouba tudo nas lojas; um homem preocupado com os negócios, mas que estranhamente gosta de colecionar xaropes; um jovem gordinho, ingênuo e simpático e um extrovertido e irônico idoso, Irv Gordon (Richard Dreyfuss, em excelente atuação). Nikos persegue o grupo de Geórgia fazendo de tudo para que eles a odeiem, o que a vai deixando a cada dia mais irritada até que, exaltada, ela dá um fora ao citar que Irv se fazia de engraçado porque era mal casado. O que ela não sabia era que Irv tinha ficado viúvo depois de muitas viagens com sua esposa, que tinha por sonho conhecer a Grécia. Ao tentar se reaproximar deste senhor num pedido de desculpas, ele começa a mostra-lhe a vida como ela deveria levar, com mais alegria e com maior percepção de que o seu pretendido amor poderia estar muito próximo e, mais, que poderia conseguir o que almejava com seu trabalho, se o tornasse mais dócil, compreendendo os sentimentos de cada personalidade dos diferentes turistas em uma excursão. O filme é leve, mas traz mensagens otimistas de vida, envolvendo momentos engraçados, românticos e filosóficos. Além disso mostra ótimas imagens do continente grego como Epidauros, Olímpia e Delfi, e realça muitos costumes do povo grego como a importância da hora do café, da negociação no comércio e da dança e da musica. Enfatiza, inclusive, o sentimento grego ao explicar bem o que significa a palavra “Kefi ” que em grego significa paixão, alegria interna de por para fora os sentimentos, a vontade pela vida, o amor puro. Filme gostoso de assistir.

 

 

UM PRESENTE DE GREGO (THE KINGS OF MYKONOS), filme australiano de 2010, dirigido por Peter Andrikidis. Grande parte da população australiana é composta por imigrantes gregos e este filme parece ser uma homenagem a eles. Steve Karamitsis (Nikos Giannopoulos) é um descendente de gregos que vive na Austrália e após ver seu pai ser detido e seu carro, sua maior paixão, confiscado pela polícia, por dívidas contraídas, recebe um telefonema de Mykonos anunciando a morte de seu tio Panos. A única boa notícia que ele tem, nessa fase complicada de sua vida, é que o tio deixou-lhe uma herança, uma praia toda em Mykonos com valor de mais de 3 milhões de euros. Mas as coisas não são fáceis para Steve quando ele chega a Mykonos e vê que seu primo, Mixalis (Alex Dimitriades), extremamente influente no local, tem más intenções para se apoderar da praia, onde pretende construir um grande resort Internacional. Tony (Kostas Kilias), amigo de Steve que o acompanha na viagem, entra em confronto com Pierluigi, o conhecido Rei de Mykonos (Kevin Sorbo), um italiano que teria dormido com quarenta e três mulheres em um só mês e acabam apostando na dificuldade de Tony conquistar Enza (Cosima Coppola), uma esnobe italiana, mulher mais linda da ilha e que não dava bola para ninguém. Steve, por sua vez, se apaixona por Zoe (Zeta Makrypoulia), uma cantora da bouzoukia local, faz amizade com uma cabra, que era de estimação de seu tio Panos e encontra um antigo e raríssimo carro, um Pontiac Catalina 1964 que pertencia ao tio. Porém descobre que por não ser descendente direto de Panos teria que pagar um milhão de euros de impostos para poder herdar a praia. Como conseguir este dinheiro, só mesmo com a participação de dois esquisitos antropólogos alemães (Thomas Heyne e Mario Hertel) e cativando a todos da ilha para enfrentar o primo Mixalis. Com o desenrolar do filme descobre-se que nenhum dos personagens era exatamente aquilo que parecia ser, trazendo fatos surpreendentes ao enredo. O filme é uma comédia leve que mostra muitas imagens lindas da ilha Mykonos além de costumes gregos, como a importância que os parentes tem para os gregos, a música, a dança, a guerra de flores nas bouzoukias, a paixão pelas cabras e a insistência do grego Tzimi (Dimitris Starovas) em explicar que seu nome é Tzimi e não Jimmy (em grego o J se pronuncia com som de Tz). Uma comédia leve e gostosa de ver, para curtir o astral de Mykonos.

 

 

Música :  Vradi Savvatou - Giannis Vardis