GASTRONOMIA E BEBIDAS

                

Os gregos apreciam comer bem e desenvolveram, através dos tempos, uma culinária característica encontrada em restaurantes de todo o mundo. Basta observar-se a quantidade de restaurantes gregos, sempre lotados, no Quartier Latin em Paris, a capital mundial da gastronomia.

Graças ao seu clima e à sua posição geográfica, junto ao Mediterrâneo, a Grécia tem o privilégio de produzir ingredientes muito saborosos; as frutas e verduras amadurecem em todo seu esplendor, sem umidade, com toda a intensidade dos aromas, cores e nuances ao paladar ! Os tomates e as cebolas são extremamente doces, os pepinos muito crocantes, as frutas então...são um capítulo à parte, sendo a Grécia a maior exportadora para a Europa de pêssegos, damascos, melões, cerejas e melancias.

A vida social dos gregos inclui horas ao redor de uma mesa, em alguma taverna, comendo, bebendo e conversando, tanto no almoço, depois do qual fazem a siesta, como no jantar.

Igual a todos os outros países europeus, existem na Grécia muitas cafeterias, e o café é uma mania grega tão notada como a brasileira. Pode ser tomado forte, feito à maneira árabe com muito pó sedimentado no fundo da xícara  ou, no calor intenso do verão, gelado, como um frappé , batido puro, com leite, com o licor Baileys ou com sorvete de creme. Vem sempre acompanhado de um copo de água. Com o café na mesa os gregos ficam horas conversando ou jogando gamão.

Frappé

Bebida alcoólica, sem comer : nunca!!!  Qualquer bebida tem que vir acompanhada de algum petisco. Aliás, os gregos são especialistas em mezédes, pequenas porções de muitas coisas deliciosas, degustadas no almoço ou no final da tarde. Podem ser patês para comer com pão: de berinjela (melitzanosalata), coalhada com pepino e alho (tzatziki), ou de ovas de peixe (taramosalata); tomates, abobrinhas, pimentões ou berinjelas recheados (gemisto) com carne e molho; bolinhos de polvo ou de carne (keftedes); queijo grelhado à milanesa (saganaki);  frutos do mar (lulas, camarões, polvo, mariscos) e pequenos peixes fritos; charutinhos de folhas de uva (dolmadakia) quentes ou frios, servidos ou não, com um saboroso molho de ovos com limão (avgolémono) e, claro, a salada grega chamada de xoriátika (tomates, pepinos, finas fatias de cebola, azeitonas, pimentão verde e uma fatia de um forte queijo de cabra e ovelha, o feta, temperada com orégano).

Salada xoriatika, patês, dolmadakias, camarões, keftedes, spanakopita e polvo

Os mezédes, tão tradicionais na Grécia, em geral, são servidos com a bebida típica grega, o ouzo (pronuncia-se uzo), uma bebida transparente produzida a partir da fermentação da casca de uva, aromatizado com anis e bastante forte (teor alcoólico por volta de 44%). Pode ser bebido puro ou com gelo e água (que quando misturada faz com que a bebida mude para uma cor leitosa), ficando muito refrescante. Por isso, os locais onde se comem os melhores mezédes são chamados de ouzerias. Apesar disso, muitos gregos preferem o tsípouro ou o rakí , também destilados de uva porém, mais puros e com menos sabor de anis. Mas ninguém vai se importar se preferir uma cerveja bem geladinha. 

Uma ouzeria típica em Atenas

Os ouriços do mar, dizem os gregos, são afrodisíacos. Difíceis de serem encontrados em Atenas, são servidos nas ilhas no horário do pôr-do-sol, temperados com azeite e limão, junto com outros mezédes e ouzo. Nada mais delicioso do que apreciar o imenso sol se pondo a sua frente, com paisagem de casinhas brancas e muitas flores, com esse aperitivo. Na verdade, a impressão que se tem é de que tudo, e não somente os ouriços, são afrodisíacos.

Ouzo, refrescante na praia, ótimo para acompanhar mezédes e perfeito para ver o pôr-do-sol no final da tarde

Nas ilhas, aproveite !!!  Não há nada melhor que se deliciar com peixes e frutos do mar recém-pescados, fritos ou grelhados, em uma taverna na praia ou em frente ao porto, com o Egeu brilhando ao sol em sua frente. Nas tavernas das praias faça um aperitivo com octapodi (polvo) ao molho vinagrete e kalamarakia (lulas fritas). No almoço experimente a Barbúnia (trilha) e o Lavráki (robalo) ou , se preferir, os excelentes garides (camarões) e astakós (lagostas). Os camarões da ilha de Limnos e as lagostas da ilha de Fourni são os melhores que já provei na vida! Nas cidades, escolha o polvo ou o peixe que vai para a grelha fresquinho naquela hora.

Ouzeria em Naxos, escolhe-se o peixe ou o polvo que vai para a grelha

De hábitos tradicionais, os gregos acham natural comerem, cada um com seu garfo, de um mesmo prato com bolinhos ou salada, por exemplo. Nas refeições principais, isso já não acontece. Tudo é temperado com muito azeite, considerado o melhor e mais saudável do mundo. 

Desde os tempos mais remotos as oliveiras são cultivadas na Grécia. Para os antigos gregos essas árvores representavam paz e tranqüilidade, sendo tão valorizada que aos vencedores dos antigos Jogos Olímpicos era dada uma coroa feita de ramos de oliveira brava. Escavações arqueológicas mostram que o azeite era intensamente utilizado ( e ainda o é ) não apenas na gastronomia mas também, na limpeza, na perfumaria, nos cuidados de beleza, na Medicina e na iluminação. Homero o denominava de ”líquido de ouro“ e Hípócrates, famoso médico da Antiguidade, utilizava-o nos tratamentos dos seus doentes. 

Nos dias de hoje, a oliveira é o mais importante produto agrícola da Grécia e de onde nasce a produção anual de 400.000 toneladas de azeite, sendo que 75% da produção de azeite é considerada de excelente qualidade. A Grécia é o país do mundo com maior consumo de azeite per capita, cerca de meio litro por semana, o dobro de países como Itália, Espanha e Portugal, outros grandes produtores.  

O azeite extra-virgem, obtido da primeira prensagem das azeitonas é muito rico em gorduras monoinsaturadas e por isso apontado como o principal responsável pela longevidade dos gregos. Pesquisas atuais demonstram que o azeite é benéfico para a saúde, sendo facilmente absorvido pelo organismo e seu consumo contínuo, previne  doenças do coração e do estômago, pois faz aumentar apenas o chamado colesterol bom.  Outros estudos associam o consumo do azeite grego e vinho em pequenas quantidades, como alimentação preventiva à doenças cardíacas. Tanto que a ilha de Creta é o local do mundo de menor incidência de doenças coronarianas, apesar de ser um dos povos que mais fumam.

O azeite grego, produto natural, com sabor autêntico, de aroma agradável e muitas propriedades  nutricionais é utilizado na culinária como tempero em saladas e é também o elemento ideal para a preparação de pratos com vegetais, como ervilhas, feijão e berinjelas. Além disso, é utilizado na preparação de doces, bolos e tortas sendo mais saudável do que margarina e manteiga.

A culinária grega baseia-se em ingredientes frescos. Carne ou peixes são simplesmente grelhados servidos com ervas, especialmente o extremamente cheiroso orégano, ou molho de limão e sempre com muito azeite. Carneiro, frango e porco podem ser servidos grelhados em bistecas (brizola), cozidos em saborosos molhos, em espetinhos como um churrasco (souvláki). As costeletas de carneiro são deliciosas. À base de tomate com especiarias, não deixe de provar o stifado, cozido de carne ou polvo, com ervas, tomate, cebolinhas, azeite, vinagre e suave sabor de canela. 

Para um lanche rápido, experimente o giros pita que consiste em carne de carneiro ou pernil, temperadas e fatiadas a partir de um espeto giratório e que pode ser servido tanto no prato, com salada, cebola, tzaitziki e batatas fritas, ou com todos os ingredientes enrolado na pita, um pão do tipo sírio, porém mais fino, e que se come com a mão como um sanduiche. Garanto que você não se lembrará por nenhum segundo do Mac Donald´s.

Da culinária mais tradicional destacam-se as massas como o mussaká, que é uma espécie de lasanha com berinjela e o pasticcio, com macarrão, carne e molho bechamel.

Pasticcio

Prove todos os queijos que puder. Muitos são famosos em todo o mundo, como o Feta (feito de leite de cabra e ovelha). Na Grécia as ovelhas e as cabras alimentam-se de arbustos que contém ervas extremamente aromáticas e seus sabores são transmitidos para o leite destes animais, fazendo com que o queijo, feito a partir desse leite, detenha um sabor particular. Este queijo é denominado Feta ( por decisão da União Européia, apenas os queijos - desse tipo - produzidos na Grécia podem ter essa denominação ) é produzido há milhares de anos, aparecendo, inclusive, na Odisséia de Ulisses, no episódio em que ele adentra a caverna do Ciclope Polifemo. O queijo tem cor branca que não se deve a agentes branqueadores artificiais ( uma vez que o uso de conservantes não é permitido na sua produção ), baixos níveis de gordura e um gosto excepcional. O processo de maturação compreende duas fases: primeiro o queijo deve ficar quinze dias em recipientes de madeira sob condições de temperatura e umidade controladas e depois, por trinta dias, em refrigeradores com uma temperatura estável. O queijo Feta é um produto grego tradicional e faz parte da alimentação diária servido na salada Horiática, juntamente com tomate, pepino, cebola, azeitonas e orégano; em tortas de queijo feitas com massa folhada; recheando lulas ou filés de peixe, gratinado com camarões ou simplesmente temperado com orégano, servido como mezédes.

O Graviera é outro queijo grego conhecido mundialmente, especialmente os produzidos na ilha de Creta; outros de produção caseira e local, de determinados lugares, tem um paladar diferente e são muito saborosos. Os queijos de Metsovo são especiais, principalmente os defumados, que são servidos derretidos para comer com pão ou em crepes. Nas ilhas é comum se encontrar queijos deliciosos e típicos como o Kaseri e o Kefalotiri.

As sobremesas incluem saborosos doces feitos em geral no próprio restaurante, como as loukoumádes (bolinhos tipo sonhos, fritos, com mel e canela), bougátsa (doce de creme ou queijo com canela e açúcar), halvá, rizogalo (arroz doce), galaktobúriko (torta de leite), baklavás (mil folhas com amêndoas) e kadaífi (também de amêndoas e canela). As frutas obedecem as estações e se você estiver andando pelas ilhas em agosto e setembro, sentirá o tempo todo o cheiro dos figos, doces, maduros, que nascem por todos os lugares. Em agosto e setembro também são saborosas as melancias, abricós, pêssegos e os melões da ilha de Zakinthos. As uvas e cerejas são maravilhosas ... e é uma gentileza comum nos restaurantes oferecerem um prato com frutas variadas como sobremesa.

Halvá

No café da manhã, o iogurte grego, que é suave e encorpado, pode ser apreciado com frutas e coberto com o maravilhoso mel produzido na Grécia. Tanto o iogurte como o mel grego predominam em toda a Europa. Outras especialidades são as massas folhadas para tortas ou pitas, com diversos recheios: de vários tipos de queijos isolados ou misturados (tiropita), de espinafre (spanakopita), ou doces, como de creme, maçã (milopita) e chocolate com banana. Não deixe de provar os sucos de frutas naturais.

Iogurte com mel e frutas

 

OS VINHOS GREGOS

Segundo a História, as vinhas e o vinho apareceram pela primeira vez na Grécia, por volta de 4000 a.C.. Dionísio, filho de Zeus, era o deus da vegetação e do vinho e era adorado com festas e eventos em várias ocasiões. Existem descrições detalhadas de processos de produção de vinho em inscrições que datam de 2500 a.C.. A mais antiga prensa de vinho do mundo foi conservada na ilha de Creta onde foram encontradas gravetos de parreira em túmulos muito antigos. Na Ilíada, Homero também descreve muitas cidades e regiões da Grécia como produtoras de vinho e elogia as suas tradições na produção desta bebida. 

Na Grécia Antiga, o vinho era utilizado não só como bebida, mas também como medicamento. Era servido em copos de várias formas e tamanhos, cada um com um nome diferente. Vasos como as ânforas eram utilizados para servir o vinho no Symposium. As Kratiras eram vasos largos, de excelente qualidade, usadas para armazenar o vinho. Uma das mais magníficas e também um dos mais bem conservados, está exposta no Museu Arqueológico de Thessaloniki.  

"Os vinhos gregos estão entre os de maior personalidade no mundo e entre os que mais combinam com comida. As melhores castas nativas podem produzir vinhos tão extraordinários e elegantes que não se pode imaginar que a Grécia seja um país quente"  (The Washington Post ).

Na Grécia são cultivadas cerca de 250 variedades de uvas em quase todo o continente e ilhas, de norte a sul, de leste a oeste. O vinho grego é de excelente qualidade e recentemente vem ganhando apreciadores tanto no mercado europeu quanto mundial. As uvas autóctones conferem uma tipicidade única ao vinho grego, sendo a Agiorgitiko seu melhor exemplo. Os vinhos desta uva têm paladar rico e intenso com uma aroma esplendoroso e aveludado no palato. Ela é plantada principalmente no Peloponeso, em Neméa. No norte da Grécia encontram-se muitas áreas de produção de vinho tinto: Naussa, Goumenisa, Amynteo, Siatista e Xalkidiki. Algumas das variedades produzidas na Macedônia são Xynomavro, Mosxomavro e Athiri, produzido nas vinhas do Monte Athos, sendo a Xynomavro muito estruturada e considerada uma das melhores da Grécia. Além disseo a Grécia ainda planta as uvas Syrah e Cabernet para a elaboração de muitos vinhos tintos. Alguns dos vinhos produzidos nas ilhas Creta, Paros e Rodes são, também, muito consumidos na Grécia.  

Os vinhos tintos gregos mais considerados pelos especialistas hoje em dia são : Gaia Estate Neméa, Gerovassilíou, Gerodoklima Rematias Merlot, Avaton e Cabernet Néa Drys.

Existem vinhos brancos secos muito bons, especialmente os produzidos nas ilhas Kefalonia (Robola), Limnos e Santorini; desta última ilha, alguns vinhos são premiados na Europa e têm um paladar diferenciado por serem produzidos a partir de uvas assyrtico, de toque cítrico e muita acidez, atiri e aidani, todas cultivadas em solo vulcânico. Outras uvas utilizadas para fabricação de vinhos brancos são a moschofilero, com aroma de rosas e a malagousiá, de sabor muito rico, além das conhecidas sauvignon blanc e chardonnay.

Os vinhos brancos mais apreciados pelos enólogos são : Gerovassilíou Chardonnay, Antonopoulos Chardonnay e o Thalassitis Assyrtiko de Santorini.

A uva Mavrodaphne plantada principalmente em Patras, confere um vinho tinto doce, achocolatado, de coloração muito escura, ideal para o acompanhamento de sobremesas.

O vinho Mosxato, de Samos, é um vinho branco doce conhecido em todo o mundo e ótimo como aperitivo.

Em Santorini produz-se também o Vin Santo, semelhante ao italiano, sendo um vinho tinto adocicado que deve ser tomado como aperitivo ou após a refeição, sempre bem gelado.

Entretanto o vinho mais apreciado pelo povo grego, muito consumido no verão, é o “retsina”, feito com adição de resina de pinheiro ao vinho branco durante a fermentação, muitos deles de fabricação caseira. Quando fresco é suave e parece um vinho branco leve, apesar da maior graduação alcoólica. Tem um paladar único, bastante diferenciado, fornecido pela resina da madeira e são muito refrescantes quando bebidos extraídos por pressão diretamente do barril. Pode ser servido misturado com água gaseificada ficando muito semelhante aos vinhos espumantes.

 

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RECEITA DE MUSSAKÁ

Música : Dithesio - Alkistis Protopsalti